Educação Inclusiva
O Brasil, finalmente, se propôs a discutir – pelo menos sumariamente – a questão da inclusão de pessoas que necessitam de cuidados especiais na rede regular de ensino. Em 2003, o Ministério da Educação deu início ao programa “Educação Inclusiva: direito à diversidade”. A intenção é garantir que todos tenham acesso à educação, independentemente do grau de deficiência que alguém possa ter.
À primeira vista, o programa tem sido um sucesso. O número de alunos com necessidades educacionais especiais matriculados em escolas regulares aumentou consideravelmente nos últimos anos. Em 1998, eram apenas 43.923 alunos. Em 2005, esse número chegou a 262.243 alunos, representando 41% do total das matrículas na Educação Especial. A expectativa é que em 2006, as ações do programa envolvam 4.646 municípios, alcançando o percentual de 83,5% dos municípios brasileiros.
Mas, diante dessas estatísticas, resiste a questão: qual é, afinal, a melhor forma de educar crianças e jovens com deficiência?
Sem dúvida, um erro de planejamento pode prejudicar (e muito) o futuro de milhões de brasileiros e, conseqüentemente, o futuro de uma nação. Itália e França nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, decidiram, por meio de um decreto de lei, fechar todos os estabelecimentos exclusivos para deficientes. Hoje, não é difícil encontrar mendigos com algum tipo de retardamento em esquinas de suas principais capitais. Assim, estratégias, à primeira vista, certeiras podem se transformar num verdadeiro tiro pela culatra.
Cabe ao Brasil identificar soluções compatíveis a sua realidade. Em números absolutos, temos, sem dúvida, mais crianças deficientes que qualquer outro país europeu. Por outro lado, proporcionalmente, temos poucos centros de ensino com qualidade suficiente para comportá-los. A primeira etapa consiste, portanto, em equilibrar esses dois fatores. Montar uma estrutura adequada – com profissionais especializados e ambiente adaptado – é fundamental.
O segundo fator, não menos importante, é planejar a forma ideal de inclusão. Inserir um aluno deficiente numa turma normal requer estudos preliminares. Em Brasília, as crianças portadoras de condutas típicas passam por um “estudo de caso” – prognóstico médico e educacional – e, conforme o resultado, são inseridas em turmas específicas que antecedem a “inclusão”. A escala, em ordem crescente, corresponde aos:
Centros de Ensino Especial / Currículo Funcional (AVD – entidades próprias – Socialização)
Ensino Regular (escola comum)
Classe Especial
Integração Inversa
Inclusão
Ensino Regular (escola comum)
Classe Especial
Integração Inversa
Inclusão
Dos 450 alunos com condutas típicas matriculados em escolas do DF, em 2006, apenas dois alcançaram a Inclusão. O número pode ser considerado baixo por alguns, mas, por outro lado, mostra como o processo de inclusão é trabalhado com rigor e cuidado.
Por esse lado, os números apresentados pelo Ministério da Educação não podem e não devem ser vistos desvinculados da própria forma com que é feita a inclusão de alunos especiais em redes regular de ensino. Resultados imediatos são, muitas vezes, falaciosos. Só com o tempo veremos se, realmente, o Brasil soube planejar, qualificar e executar políticas educacionais compatíveis à nossa grandeza.


